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| Estenose Esofágica em Cães e Gatos |
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A estenose esofágica é uma afecção em que ocorre uma diminuição do diâmetro do esôfago devido à formação de uma cicatriz formada pelo tecido fibroso que impede a passagem normal do alimento. Os sintomas apresentados são principalmente a regurgitação e a disfagia (dificuldade de deglutir). As causas mais comuns para a formação deste estreitamento incluem:
Esôfago com lúmen preservado ![]() Esôfago com estenoses esofágicas formadas após procedimentos anestésicos
A estenose esofágica na maioria das vezes está associada a refluxo de suco gástrico durante procedimentos sob anestesia, este refluxo lesiona a parede do esôfago e forma uma esofagite profunda que resulta numa cicatrização com proliferação de tecido fibroso. A função normal do esfíncter esofágico caudal é essencial na prevenção do refluxo gastroesofágico e vários fatores podem estar associados à alteração dessa função. Muitos agentes pré-anestésicos usados induzem a redução da pressão do esfíncter esofágico caudal, predispondo o animal ao refluxo durante a anestesia. A mudança na pressão intra-abdominal também pode estar associada, bem como o posicionamento do animal durante a cirurgia, volume e composição do suco gástrico e a habilidade de reparo do tecido esofágico.
A demora no diagnóstico da estenose dificulta o sucesso do tratamento devido à fibrose formada na área estenosada. Os exames complementares essenciais para o diagnóstico são o esofagograma (radiografia com contraste) e a esofagoscopia (endoscopia do esôfago). O esofagograma pode identificar a localização, a extensão e o número de estenoses. A esofagoscopia promove a capacidade diagnóstica mais acurada da estenose, pois é possível a visualização direta da área podendo ser feita avaliação do diâmetro, aparência da mucosa do lúmen, e também realizar o tratamento concomitantemente. Como tratamento pode ser feitas dilatações com o auxílio de balões de dilatação (Figura 1) que tem como vantagem a mínima chance de perfuração esofágica, pois permite o acompanhamento direto no momento da dilatação. A desvantagem é o custo do balão. Outro método utilizado são as bougienages ou velas de dilatação (Figura 2), encontradas em diversos diâmetros. Pela impossibilidade de introduzir a vela de dilatação junto com o endoscópio o risco de perfuração torna-se maior. A cirurgia pode ser utilizada como método terapêutico, porém o sucesso desse tratamento é menor de 50%, devido complicações na cicatrização do órgão. O próprio endoscópio pode ser usado para dilatação quando é possível passá-lo pela estenose. Tubos endotraqueais e sondas de Folley também podem ser utilizados. Algumas estenoses requerem múltiplas dilatações, sendo difícil afirmar quantas dilatações serão necessárias para cada paciente. ![]() Desenho esquematizando a dilatação esofágica com o auxílio do balão. ![]() Esôfago após a dilatação. As áreas mais avermelhadas (seta) mostram a esofagite formada no local onde havia tecido fibroso. ![]() Desenho esquematizando a dilatação com auxílio da vela dilatadora. Atualmente não existe um estudo aprofundado sobre o motivo das estenoses esofágicas desenvolverem numa porcentagem tão pequena de procedimentos anestésicos, não havendo um protocolo anestésico ou tipo cirúrgico que haja menor risco de predispor esta afecção. Apesar da pequena ocorrência das estenoses faz-se importante e sugestivo tomar alguns cuidados para minimizar o refluxo gastresofágico durante o procedimento anestésico, como a aplicação de inibidores de H2, ou de bomba de prótons, antiácidos assim como a inclinação da mesa cirúrgica na região cervical e torácica durante a anestesia.
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